Eu tenho pavor de gente que some. Sempre achei que sumir é o ato de maior covardia que existe em um relacionamento. A pessoa some porque:
1) Tem medo de magoar o outro. Pouco provável, mas essa será a desculpa usada no futuro. Não se iluda não, miga.
2) Não quer encarar a pessoa no término porque é uma situação muito chata. Sim, porque a vida é feita só de coisas boas.
3) Acredita que se sumir a pessoa vai ficar esperando. O famoso deixar de escanteio enquanto vai vendo se dá certo com a outra ou com as outras. Esse tipo aparecerá no futuro dizendo: Sumiu, heim?


 
O problema é que quando eu era mais nova eu não tinha a maturidade que eu tenho hoje. Eu não entendia o significado de um sumiço. Quando me perguntavam porque eu ainda não tinha esquecido o fulano eu dizia: Ah a gente tem um caso mal resolvido. Sim, eu não aceitava o sumiço como um fim definitivo. Pensava que sei lá, merecia uma explicação. Olha só que idiota. Acreditava que as pessoas me deviam algum tipo de respeito. E demorou muito, muito mesmo para eu entender que um sumiço não era um caso mal resolvido, era um caso resolvido. Estava bem claro, muito bem resolvido por eles, só eu que não sabia. Na escola um professor de filosofia falava que o amor é um egoísmo duplo e coincidente. Decorei essa frase, colocava nas provas, enchia uma linguiça com mais frases e acertava as questões, mas demorou muito e doeu muito para eu aprender na prática.
 

 
 

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Já falei mil vezes aqui que eu não consigo rezar. Gente, eu não consigo ficar recitando orações, não consigo me concentrar, começo com Ave Maria e logo to pensando nos problemas, nas alegrias ou em coxinha. É uma pena, juro que queria conseguir me concentrar com essas orações. Costumo brincar com minha mãe que minha oração vale mais porque quando eu rezo Deus pensa: Gente, deve ser sério, vou lá ver. E realmente quase tudo que eu rezo dá certo. Minha mãe brinca: "Teu santo é forte, Laiz". Pra mim só há dois jeitos de conseguir rezar: O primeiro jeito é cantando porque acho que consigo prestar atenção naquilo que estou cantando, por exemplo: "O mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo." Acho isso tão lindo e motivador. O segundo modo eu só vou contar no fim do texto porque sou chata.
Comer, rezar e amar é um dos meus livros preferidos. Até hoje reli poucos livros. A maioria foram aqueles infantis que eu relia quando criança quando não tinha nada pra fazer tipo O Patinho Cirilo. Depois teve Cazuza, só as mães são felizes que sempre choro no começo quando ele morre. Abre parênteses: O mais legal é que isso não é um spoiller porque todo mundo sabe que o Cazuza morre, fecha parênteses. Dom Casmurro porque eu queria entender detalhes que deixei passar na primeira leitura e acho que se eu ler mais umas 10x ainda vou encontrar mais detalhes. E Comer, Rezar e Amar porque eu acho que aquela mulher escreveu alguns trechos pensando em mim. O fato de eu pensar que ela escreveu pensando em mim prova que eu sou uma mulher comum porque todo mundo se identifica com esse livro e PUTA QUE PARIU como eu tenho inveja de quem consegue escrever assim. Toquei nesse assunto porque em Comer, rezar e amar ela aprende a meditar, mas eu acho impossível isso. Acho que enquanto meditava ela pensava: Ah vou escrever isso assim. Vou descrever de tal jeito. Entende? Não acho que a cabeça dela para algum minuto para que ela medite. Caramba, ela escreveu um livro sobre isso. Mas há um trecho no começo do livro em que ela simplesmente conversa com ele. Ela diz aquilo o que ela quer dizer, pergunta o que quer, pede ajuda, como um amigo mesmo. E aí eu pensei: Por que não, né?
Outro dia eu tava em uma situação de desespero e depois de rolar um milhão de vezes na cama e rodar o travesseiro para que ele ficasse um pouco mais fresquinho, comecei a rezar. Mal tinha começado e como esperado já tinha perdido totalmente o foco, mas aí eu comecei a falar com Deus. Parece idiota, né? Acho que repeti umas cem vezes a mesma coisa: "Deus, o que você quer de mim? O que que eu faço?" e aí eu dormi. Aí agora todo dia eu converso com ele, ou comigo, ou com minha fé, cada um vê como quiser. Sempre que começo as orações tradicionais eu paro e converso, agradeço e bem... Deus tem sido um lindo comigo. 

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Já faz um ano que eu venho a pé trabalhar, saio da academia e venho. Se há um ano atrás você falasse que eu faria academia 06:30 eu riria da sua cara e hoje não consigo me imaginar sem. Enfim, o caminho de lá até a visu é uma subida. Há dias em que eu subo pensando: Nossa ainda falta tudo isso. Há outros dias em que subo pensando: Nossa já subi tudo isso. Acho que esse pequeno pensamento simples revela muito do meu humor. Acho que os dias em que eu estou com o segundo pensamento são mais fáceis e melhores.
Se eu conseguisse ter esse segundo pensamento para outros aspectos e todos os dias da minha vida tudo seria mais fácil. Eu olharia tudo que já aconteceu de tenso no passado e pensaria: "Mas se eu já passei por isso, por que não daria conta de passar por esse novo obstáculo?" Ou então: "Ah isso aqui vai ser de boa, eu já passei por tal coisa." A vida tá boa, sabe? Eu to em paz, tenho amigos verdadeiros, tenho gente que me ama e não to com medo de nada, bom quase nada. Sempre haverá aqueles medos naturais.
Há uma semana tenho pesadelos horríveis com minha irmã. Na primeira vez estávamos em um campo de guerra, havíamos nos perdido e ela me achou. Me achou, me colocou em uma cabine de banheiro para me proteger e ficou lá fora. Em posição fetal eu chorava e implorava para que ela entrasse, mas não saia lá fora para puxá-la, me senti inútil e covarde. Da segunda vez, estávamos em uma sorveteria. Eu como de costume colocava mais sorvete que conseguiria comer quando começou uma briga na rua e essa briga virou uma confusão e essa confusão virou uma revolta armada. Só sei que no final estávamos dentro da sorveteria com armas apontadas para nossas cabeças. Eu tava agarrada na lu e juro que consegui sentir o gelado da arma no meu ouvido. Depois de muito tempo de pânico eu pensei: Peraí, essa sorveteria não é assim. É sonho. Eu já falei infinitas vezes aqui dessa capacidade que eu tenho de descobrir que é sonho e lutar com todas as forças para acordar ou mudar a situação. Acho que sou uma divergente. Quem viu esse filme vai entender. Enfim, mesmo sabendo que era sonho esses pesadelos entraram no ranking dos piores até hoje. Acho que estou escrevendo mais para não esquecer mesmo, ainda está fresco, ainda me aterroriza.



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Eu admiro muito a Audrey. Não é que eu tenha visto todos os seus filmes, decorado sua biografia, nem nada do tipo. É algo que eu não sei explicar. Acho que é porque eu queria ter a elegância e beleza dela. Acho que uma pessoa nasce elegante, nasce phyna. Quando Lulu diz que vê um novo começo de era com gente phyna, elegante e sincera. Eu imagino algumas pessoas nesse novo começo de era. Uma dessas pessoas é a Audrey.
Audrey me ganha no filme bonequinha de luxo quando diz:
"Pobre gato velho, pobre coitado, pobre coitado sem nome.Eu não tenho direito de lhe dar um.Não pertencemos um ao outro, nos encontramos nas margens de um rio.Não quero possuir nada até ter minha própria casa. Não sei onde fica, mas sei como é. É como a Tiffany’s.
_Está falando da joalheria?
_Isso mesmo, adoro a Tiffany’s. Escute, sabe aqueles dias tristes?
_Dias tristes? Quando está de baixo astral?
_Não, fico deprimida quando engordo ou quando chove, fico triste e só. Os dias tristes são horríveis, você tem medo e não sabe do que. Você já se sentiu assim?
-Claro
-Só consigo me livrar disso pegando um táxi até a Tiffany’s, isso logo me acalma. Naquele lugar tranqüilo e sofisticado.nada de mau pode acontecer. Se encontrasse um lugar onde me sentisse como na Tiffany’s então compraria móveis e daria um nome ao gato!" 

Tem dias que são tristes e só, né? Não tem um porquê exato. A gente só quer que o dia termine logo, quer chegar em casa, tomar um banho gostoso, colocar pijamas limpos, deitar a cabeça no travesseiro e dormir até a tristeza passar. Eu nunca tive depressão, nunca mesmo, sou muito sortuda por isso. Mas muitas vezes na vida eu senti uma tristeza tão profunda e ás vezes sem motivo. Várias vezes eu senti uma tristeza que não passava e que quando passava logo voltava e então eu pensava: Será que agora é depressão? E agora? E até hoje nunca foi depressão. Acho que ninguém acreditaria se eu tivesse depressão, juro que imagino as pessoas questionando e eu seria obrigada a ser feliz de novo ou me fazer de feliz de novo.

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Quando eu tinha 10 anos uma gata deu cria no telhado da minha casa e seu filhote caiu. Criança é boba e se ilude fácil, decidi que aquele gatinho amarelinho seria meu. Eu cuidaria dele, ele melhoria e  a gente seria feliz pra sempre, igual em filme. No outro dia quando cheguei da escola fui correndo ver como estava o bichinho, mas ele não estava. O meu pra sempre durou só um dia. Chorei tanto, mas tanto, de uma forma inexplicável. Parecia birra, não havia motivo pra chorar daquele jeito, não tinha porque chorar por algo que ficou comigo por tão pouco tempo. E eu também já não era mais um neném. Só sei que só houve um jeito de parar de chorar: O tico.
Semanas antes do acontecido do gatinho passei de carro com minha mãe em frente a uma clínica veterinária e me apaixonei, amor a primeira vista. Ele era pretinho com caramelo, tinha orelhas enormes, cabia na palma da mão e não tinha os olhos saltados como os outros de sua raça. A gente teve que descer, teve que pegar no colo, teve que fazer inúmeras onomatopeias que representassem fofura, mas ele não foi pra casa comigo naquele dia. Que absurdo! Comprar cachorro?! Onde já se viu isso?! Até então todos os meus cachorros haviam sido ganhados, cada um com sua história peculiar. A Biba foi minha primeira cachorra, encontrada em uma manilha de água em uma noite de muito frio. Depois de muito fazer bagunça e quase deixar minha mãe louca, a Biba teve que ir pra roça. Lá em casa tinha uma só regra, se cachorro desse trabalho ia pra roça. E depois que ia pra roça a gente perdia totalmente o contato. Acontece que a Biba tinha mania de seguir meu pai para todos os lados e um dia ela foi picada por uma cobra. Diz minha mãe, em forma de consolo talvez, que a Biba levou a picada no lugar do meu pai. A Biba então foi uma heroína. A Tchutchuca foi a segunda cachorra, com nome de rainha do funk deixou minha mãe louca e também foi pra roça. Ela não teve uma morte heroica, ficou lá e só. Que fique bem claro que a gente não abandonou nenhuma delas. Na roça tinha gente que cuidava, tinha inclusive crianças que brincavam e adoravam as cachorras.

Mas depois de tanto choro, tanta manha, não teve jeito. Meu pai teve que me dar o Tico. Lembro direitinho do dia em que ele chegou. Combinei de ir com meu pai buscar e parece que não chegava nunca a hora marcada. Quando cheguei na casa da minha vó com aquele serzinho, ela me deu um cobertorzinho e ele ficou ali comigo a tarde inteira. Com o tico foi tudo diferente,  cachorro pequeno é outra convivência. A gente passou por tanta coisa e ele sempre lá. Uma vez entrou ladrão lá em casa e só não fez nada com minha irmã porque o Tico fez um escândalo, minha mãe adora contar essa estória. Acho que a gente atrai cachorro herói, cachorro herói ou anjo de 4 patas. O Tico odeia briga, odeia choro, ele quer que todo mundo seja feliz e em paz. Ele tá sempre com a gente, não precisa de muito pra ser feliz, um carinho basta e se der comida aí que ele vira fã mesmo. Consegue perceber que a gente está chegando antes mesmo de abrirmos o portão, ele fica todo todo com as orelhas de pé. O Tico tem o coração tão bom, mas tão bom que mesmo depois de ouvir a vida inteira que ele deveria odiar gatos ele aprendeu a conviver com uma e hoje são melhores amigos.

Tenho uma dificuldade enorme em escrever sobre aquilo que gosto, acho que porque não tem palavra no mundo que descreva certos sentimentos e momentos. Tem coisa que não tem como contar, tem que sentir. O Tico não é mais o mesmo, no auge dos seus 11 anos ele tem barbinha branca, poucos dentes, é roliço como um tatuzinho e isso me dá um aperto no peito, sabe? Semana passada achei que o Tico estivesse doente, aquilo me deu uma tristeza, um arrependimento. Tantas vezes que eu perdi a paciência com ele e ele só queria um carinho, um passeio. A gente tem que dar valor naquilo que a gente tem enquanto tem, depois não adianta ficar lamentando.

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Sabe aqueles filmes em que a pessoa tem um encontro às escuras? Acho aquilo o máximo. Não aqueles encontros em que vai um monte de gente e vai mudando de mesa conforme o papo está chato, aqueles encontros em que uma pessoa conhece alguém que cisma que combina com você e te apresenta. O outro tipo de encontro, o que vai passando de mesa em mesa, é no mínimo constrangedor, fora que não deve nunca dar boa gente, né? Ou até dá, mas sei lá. O próprio fato de estar em um desses já me colocaria como louca, desesperada e encalhada. Já parou pra pensar que aqueles encontros são tipo o tinder? A pessoa vai passando e vendo quem ela quer e quem ela não quer, mas é pior porque é na cara, na lata. E se eu acho o tinder constrangedor, imagina isso?! Sim, o tinder é constrangedor. É útil, é. Mas pra cidade pequena aquilo lá é muito constrangedor. Outro dia vi na rua um menino que eu tinha curtido no tinder e Santo Deus eu não sabia onde enfiava a cara de vergonha. É óbvio que eu me fingi de totalmente interessada no assunto da minha amiga e não deixei morrer até que não tivesse mais que dar de cara, né? Quem nunca?! Em casos constrangedores nível básico eu consigo fazer isso muito bem, agora quando o nível do constrangimento é alto eu perco a fala. Tem um menino que toda vez que eu vejo me desconcerta, eu juro. Tenho uma amiga que sempre está presente e quando o menino passa eu não consigo falar mais nada, fico tipo: Anh... É... Gente, que que eu tava falando mesmo? Beijos, Dai, você sabe quem é. E não é amor, nunca foi, mas não sei que que é. Na verdade tem muita gente que deixa a gente travada, não é? Não sei o motivo, mas tem gente que eu simplesmente não consigo manter um diálogo maduro. A pessoa diz e aí, Laiz? Tudo bem? E eu digo: macarrão. 

Enfim, bem queria que fosse prática aqui no Brasil isso de: Você precisa conhecer fulano e aí a pessoa vai lá e resolve todos os detalhes do encontro pra mim. Pensa que Mara. E ia ser normal, ninguém ia achar estranho ou que eu estava desesperada. Aquela minha amiga que tem aquele amigo gato não hesitaria em apresentar. Só acho que seria bacana que alguém facilitasse as coisas de vez em quanto. Que a vó Ana não leia isso porque se não ela faz um café da tarde e convida pretendentes. Sim, ela já planejou fazer isso. 

Sim, porque minha vó é dessas. Todo mundo conhece.

Acontece que eu amo primeiros encontros, sou apaixonada. Amo combinar de me encontrar com uma pessoa. Amo a expectativa que rodeia tudo isso, a hora que não passa, o medo de levar um bolo. Eu sou uma pessoa extremamente pontual e ninguém mais é, então eu sempre acho que vou levar o bolo. Sou capaz de me lembrar de todos os meus primeiros encontros. Primeiro encontro tem expectativa, mas não tem cobrança, se não der certo não tem segundo encontro e pronto. Você inventa que vai levar o unicórnio da sua irmã para pintar as unhas e com certeza a pessoa vai entender a indireta. Primeiro encontro é muito revelador, você sabe quando vai dar certo, é quando você beija a pessoa e pensa: É, fudeu. 

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Esses dias eu tava fuçando no instagram de um amigo que separou da namorada recentemente e me deparei com um milhão de fotos do casal feliz. Acho que essas fotos que ficam depois do fim são uma grande prova da efemeridade das coisas. A vida é assim, né? Tá tudo super bem e no instante seguinte parece que o mundo desmorona e haja psicológico para lidar com isso.
Acho que o tempo passa rápido demais e isso me dá uma tristeza. Quando estou feliz demais fico temendo o que está por vir. Mas acho que já falei sobre isso aqui. Além disso, tenho um desespero enorme de não estar fazendo as coisas certas, tomando as decisões certas. Acho que é natural da gente para e pensar: O que que eu to fazendo da minha vida?! Domingo é dia disso. Todo domingo é dia de pensar: Mas fulano tem a minha idade e está bem sucedido. Fulana vai casar mês que vem. Ciclano parece tão feliz. Ciclana está dando a volta ao mundo e eu ainda nem conheci o Brasil direito. Acho que comparar a nossa vida com a do outro mata, cada um tem suas qualidades, dons e principalmente oportunidades. Comparar a nossa vida com a do outro é o segredo da infelicidade. E as redes sociais tão aí pra isso, né? Outro dia vi um vídeo sensacional sobre o assunto. Recomendo a todos assistirem.








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